Enic debate temas relevantes para a construção civil

Atenta à compreensão de que o país está empenhado em dar relevância ao combate à corrupção, envolvendo desde fatores como a revisão dos mecanismos de financiamento eleitoral  até a melhoria da governança nos setores público e privado, a Comissão de Infraestrutura (COP/CBIC) da CBIC, com a correalização do SENAI Nacional, levou aos debates do 89° Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) aspectos práticos nos processos licitatórios, no Painel “Janelas Para Corrupção”.

Evento acontece de 24 a 26 de maio, em Brasília.

Durante o painel foram ressaltados, por exemplo, a assimetria existente hoje entre os direitos e deveres da administração pública e das empresas privadas.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Espírito Santo (Sindicopes/ES), José Carlos Chamon, chamou atenção para a necessidade de elaboração de projetos completos nas licitações. “Da forma como se licitam hoje as obras, não é possível as empresas fazerem orçamentos confiáveis”.

Ricardo Portella, presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas , Pavimentação e Obras de Terraplenagem em geral no Estado do Rio Grande do Sul (Sicepot/RS),chamou atenção sobre os efeitos da impontualidade dos pagamentos, “quando estes não se transformam em precatórios para talvez  nossos bisnetos receberem”.

Outra questão considerada relevante  e que concentrou a atenção dos empresários reunidos no 89° ENIC diz respeito à transparência  e a ética  nos contratos. O presidente da CBIC, José Carlos Martins, destacou que a ética e o Compliance  são os temas mais importantes  para a entidade.

“A essência dessa discussão está na aplicação da lei e não em malabarismos das discussões no Congresso que não trazem efeitos,disse o presidente da COP, Carlos Eduardo Lima Jorge.

O 89° Encontro da Indústria da Construção (ENIC) é uma promoção da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e uma realização do Sinduscon-DF. As reuniões técnicas das Comissões, Fóruns e Banco de Dados da CBIC contam com a correalização do SENAI Nacional e SESI Nacional.

“Será que a indústria de construção vai mesmo crescer 0,5% este ano, e 2% em 2018, como indicam as projeções? Novamente, aquela assombração, que não estava totalmente exorcizada, volta a incomodar”, diz o economista Daniel Furletti, sobre o retorno das incertezas com a crise política.

“Precisamos de um descolamento da economia da política, que já ensaiava uma recuperação nos primeiros meses do ano, depois de oito trimestres de recessão e queda acumulada de 7,26% do Produto Interno Bruto”, apontou ele, no fórum Banco de Dados, do 89º Encontro Nacional da Indústria da Construção.

Furletti e a economista Ieda Vasconcelos, também do Banco de Dados da CBIC, fizeram uma análise conjuntural da economia brasileira, contextualizando o setor da construção civil no atual cenário de inquietações. “Será que as indicações positivas vão se consolidar? pergunta ele, citando a queda da taxa de juros e da inflação, que tem projeção de ficar abaixo do centro da meta de 4,5% ao fim do ano.

Vasconcelos lembrou o resultado positivo de alguns indicadores macroeconômicos, no primeiro trimestre do ano. “Apesar das projeções positivas para o PIB no primeiro trimestre, os resultados da construção ainda não serão tão bons assim”, afirmou. Ela listou alguns dados negativos, como a retração de 6,3% nas vendas de material; menos 14,4% nas unidades financiadas com recursos da caderneta de poupança e queda de 10,1% na venda de cimentos de janeiro a abril de 2017 em relação a período igual doa no anterior.
“Temos um número que reflete bem o cenário de recessão no setor. Em abril de 2014 a construção tinha 3,219 milhões de trabalhadores contratados, número que caiu para 2,221 milhões em abril deste ano”, apontou ela.

Furletti destacou que a confiança do empresário da construção apresentava-se em ascenção. Variável importante para o retorno dos investimentos e retomada do crescimento. “Para acontecer o investimento é preciso confiança, principalmente do capital estrangeiro. Mas como um fundo de pensão internacional vai nos dar capital de longo prazo, ao enxergar o Brasil neste cenário conturbado”, questiona Furletti.

O cenário conturbado que voltou a comprometer, principalmente, as reformas estruturais, destacaram os economistas. Segundo ele, é imperativo que o Congresso Nacional aprove as reformas da Previdência e Trabalhista. “A aprovação das reformas trabalhista e previdênciárias abre um ambiente positivo de aprovação de outras reformas estruturantes, como a administrativa e a tributária que irão consolidar o ambiente propício aos negócios”  diz Furletti, afirmando torcer para que se dissolva o cenário de paralisia que se instalou.

“As expectativas vão sinalizar nos próximos dias, diante do cenário incerto de maio, se o país entra num caminho de retrocesso ou as perspectivas de crescimento se concretizam”, concluiu Vasconcelos.

FONTE: CBIC HOJE